quinta-feira, 10 de julho de 2014

Pedro Balduino | O Multiartista que faltava em Natal



Pedro Balduino é multiartista visual: pintor, escultor, videoartista, escritor e fotógrafo. Atua como artista plástico desde 2005, professor de desenho e pintura desde 2007 e atualmente é Membro do Grupo de Aquarela e Pastel da UFRN e do Coletivo Outis sobre cinema. Já trabalhou como mediador e expositor em galerias e festivais de cinema de vários estados do Brasil e em 2011 fundou a Império A.A. e Império Filmes, duas microempresas de fomento e produção artísticas/audiovisuais na cidade de Natal/RN. Desenvolve pesquisa em crítica de arte, cenografia para teatro, e literatura infantil ilustrada e em 2014 vai lançar seu primeiro livro infantil: "Os Mongos Estão Levando as Nossas Coisas". Claro que não poderíamos deixá-lo de fora do nosso blog. Aqui vai um pequeno bate bola do Plano D com o jovem artista, que já já vai dar o que falar.


Como foi que surgiu o interesse pela arte. Começou de cara fazendo de tudo ou escolheu um segmento inicial?

Eu sempre gostei muito de ler, escrever e desenhar e era estimulado pela família constantemente quando criança. Eu fui exposto a muitas mídias desde cedo, dos quadrinhos à televisão e exposições de arte. É uma família de professores e acho que isso influenciou qualquer coisa que tenha me carregado a essa área de atuação. Também brincava muito com bonecos e inventava histórias que eu ilustrava e escrevia depois. Mas eu queria ser qualquer outra coisa quando pequeno, não pensava em arte como trabalho. Foi por volta dos nove anos quando uma amiga de família, também artista plástica, Patrícia Gomes me deu uma revista de lições de desenho, que caiu a ficha e eu percebi que aquilo ia começar a ficar sério. Sinto que entrei de cabeça através do desenho, inicialmente.

Rabiscos cotidianos de Pedro Balduino

Quais são suas maiores influências nesses diferentes âmbitos?

Bem... penso que todo artista é um escritor, pois ele marca as coisas, ele inscreve e transcreve sobre suportes, sobre ideologias... acho que por isso busco influências em artistas que exploram a narrativa ou a escrita como uma de suas vertentes... mas são tantos (risos)... é sempre difícil listar. Sempre busco ler Gaiman, Poe, literatura de fantasia e sci-fi, principalmente. Em pintura, escultura e fotografia, busco referências com Dave Mckean, Bosch, Picasso, Dali. As animações do Myiazaki e Burton sempre passeiam pelo meu imaginário e pelas lembranças. A fantasia de Diana Wynne Jones não pode deixar de ser citada, e também sou particularmente interessado por tudo relacionado ao universo de fantasia da J.K. Rowling, confesso. Em vídeo minha produção é mais crua e menos colorida. Busco principalmente estudar o trabalho de Michael Mann e Cronemberg, os roteiros do Charlie Kaufman, figurinos de Collen Atwood, Judiana Makovsky, Colleen Atwood, Lindy Hemming, Trish Summerville, a música de Carter Burwell, Amanda Palmer, Bowie... enfim, muitos artistas (risos).
   
Obras da série Speculis (retratos de artistas que influenciam o seu trabalho)


Você tem ambição de entrar no mercado norte-americano, já que o brasileiro ainda está na sua fase juvenil?

Não! Apesar de consumir muita arte norte-americana e reconhecer que vem muita coisa boa de lá. Não creio que o mercado de arte brasileiro é tão jovem ou imaturo, pelo menos não em potencial criativo. Talvez o que seja imaturo no Brasil sejam os hábitos de consumo de arte. Mas isso é um problema de saúde pública, política, educação. Também acredito no poder que a internet tem de desterritorializar o artista. Eu não consigo vender prints no Brasil, mas alcanço público nos EUA, Inglaterra e Itália. Em compensação não saberia como trabalhar com teatro, cinema e direção de arte sem estar presente, apesar de que vídeos podem ser acessados de qualquer lugar do mundo.

Pôster do filme Quem Sou Eu

Chegou a fazer algum teste para as grandes editoras do Brasil?

Não, nunca passei por nenhum processo seletivo deste tipo... tenho fé nas novas tecnologias, e-books, blog, crowdfunding, vaquinhas, Patreon, auto publicação.


Fale um pouco sobre o processo do seu primeiro livro. Por que infantil?

Creio que quando somos crianças e lemos um livro, somos iludidos mais facilmente, a inocência predomina, toda a mágica é nova e linda. Quando você cresce e descobre o truque de algumas coisas, o esforço é consideravelmente maior para você se sentir maravilhado do mesmo jeito. Acho que escrever para crianças é mais escrever para mim, escrever para a saudade de uma sensação gostosa que não volta, mas que você sabe que ela tem importância na sua vida.


O processo de criação deste livro é uma pesquisa acadêmica que já completou alguns aniversários (risos). Pretende ser meu trabalho de conclusão de curso.

Os Mongos é um livro que fala sobre mudanças, sobre a descoberta de um novo mundo. Conta a história de um menino que acaba de se mudar para uma nova casa com a mãe e o irmão mais velho, onde as coisas importantes da família começam a desaparecer e ele descobre que são Os Mongos e então parte em uma jornada de exploração, buscando respostas com seus novos vizinhos sobre como expulsar ou conviver com Os Mongos e reaver as coisas e tal. Eu nunca parei quieto numa mesma cidade, a vida foi feita de casas novas e descobertas, assim como meu irmão Daniel Balduino que assina o texto comigo. O livro fala sobre o terror e a maravilha do novo, do improvável, de não saber o que nos espera no próximo capítulo e sobre como os coadjuvantes podem se tornar tão importantes quanto nós mesmos. Também fala de pizza de chocolate e videogames, que são potencialmente mais importantes que tudo isso.

Imagens e estudos do livro Os Mongos Estão Levando as Nossas Coisas escrito por Pedro Balduino e Daniel Balduino


Pode adiantar pra gente alguns planos prestes a serem realizados como a marca de suas empresas?

Pelo selo Império Filmes estamos com planos para alguns curtas-metragens que estavam empacados desde o ano passado. O objetivo é participar de Festivais de cinema independente e, preferencialmente, alternativo ainda este ano e em 2015. Pela Império Arte estamos patrocinando a Lovenomicon, uma ode ao mestre Lovecraft, publicação que está para ser lançada em apoio com a K-ótica e a Jovens Escribas no próximo semestre. Também no próximo semestre vamos abrir um pequeno espaço para aulas práticas de arte, intervenções, performances e o que mais rolar... E estamos aceitando ideias, é tudo bem orgânico e coletivo.


Quais foram os melhores filmes que você viu recentemente?

Eu sempre revisito meus filmes preferidos pra manter as referências frescas. Assisto sempre Videodrome e Marcas da Violência do Cronemberg, Colateral do Michael Mann, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban do Alfonso Cuarón é revisitado sempre que possível também. Mas os melhores são os curtas alternativos que a gente encontra pela internet. Conheci o trabalho de ótimos artistas recentemente como Kleber Mendonça Filho, Elizabeth Vazquez e Petter Baiestorf.

Mariah Carey tenta voltar ao topo, mas peca pelos excessos com o novo disco “Me. I am Mariah”



Em toda sua carreira bem sucedida, Mariah Carey nunca deixou os exageros de lado. Claro que não seria diferente com seu 14º álbum de inéditas, intitulado “Me. I am Mariah... The Elusive Chanteuse”. De cara, temos um título que mostra que a morena não consegue se despir das autorreferências. Sem falar que até a capa do material chega a tirar o brilho de sua voz potente. Por que será hem?

Para alguns críticos, o novo trabalho da norte-americana apaga a má imagem deixada pelo cansativo “Memoirs of An Imperfect Angel”, de 2009, que não chegou a ser linear, misturando baladas fracas com r&b de baixa qualidade.


Apesar de equilibrado, “Me. I am Mariah... The Elusive Chanteuse”, é sedutor e tem lá seus grandes momentos. Com as faixas já lançadas no formato de singles, como “The Art of Letting Go”, de novembro de 2013, e “#Beautiful”, parceria com Miguel, que chegou a posição de número 15 da parada da Billboard, o fôlego e o prestígio da estrela tem diminuído e muito.

Comprei o disco ontem, e após 4 audições cheguei a triste conclusão que não existe mais nem uma música que se iguale as já lançadas. Não que as demais, o disco traz 17 faixas que transita pelo r&b e baladas pop, sejam fracas, “You´re Mine (Eternal)”, balada adocicada e lançada como terceiro single em parceria com Trey Songz, fez feio nas paradas, estreando na posição 88º, não conseguindo ajudar o disco em suas vendas iniciais.


Enfim, não adianta esperar uma mudança de estilo ou um mergulho no tipo de música que Mariah Carey fazia na década de 1990, que a consagrou uma das maiores cantoras do mundo. “Me. I am Mariah... The Elusive Chanteuse”, dependendo de quem consome, oferece munição para quem costuma atacar a cantora. Mas claro, tem seus momentos de glória.

Confira a primeira imagem oficial de Henry Cavill no filme “Batman V Superman”



Ben Aflleck já teve sua imagem revelada na pele do Homem Morcego, no filme “Batman V Superman – Dawn of Justice”. Agora é a vez de vermos Henry Cavill repetindo seu papel na pele do Homem de Aço no longa.

A imagem mostra o Superman na obscura Gotham, cidade palco da luta entre os dois maiores heróis dos últimos tempos.

O diretor Zack Snyder revelou em entrevista ao USA Today a motivo de ter incluído o Batman na sequencia de “O Homem de Aço”, de 2013.

Eu não estava com pressa para colocar Batman no filme, mas, por outro lado, a nossa história foi se desenrolando de uma forma natural em que ele se encaixou. É bem legal ver um velho e rabugento Batman batendo em alguns garotos.”

As gravações já foram iniciadas. De acordo com Snyder, poucas cenas foram filmadas entre Henry e Ben juntos. Já a Mulher-Maravilha, interpretada por Gal Gadot, ainda não teve a chance de aparecer em frente às câmeras.

Com previsão para chegar aos cinemas apenas em maio de 2016, mesmo dia do lançamento de “Capitão América 3”, “Batman V Superman” promete surpreender os fãs dos heróis.

Podem falar o que quiserem sobre outros filmes de super-heróis, mas é Batman e Superman juntos. Vamos ser honestos. Eu não sei o que pode ser melhor que isso.
Nem eu!!

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Quais são os discos nacionais mais vendidos no Brasil?



Ponto Zzero resolveu reunir os dez primeiros, mas adianto que a rainha dos baixinhos é quem domina a lista.

O número um da lista ficou com o primeiro disco da carreira do Padre Marcelo Rossi, “Músicas Para Louvar ao Senhor”, de 1998, febre no final da década de 1990, com nada mais que 3.228.468 cópias vendidas. Claro que com após esse trabalho, o até então jovem, virou figurinha presente nos principais programas de auditório do país. Hoje ele já possui oito álbuns lançados.

Em segundo temos a rainha dos baixinhos, Xuxa, com seu terceiro disco da carreira, “Xou da Xuxa 3”. “Ilariê” e “Brincar de Índio” ajudaram a desbancar todos os outros três álbuns do top 10. “Ilariê” ficou nada menos que 12 semanas em primeiro lugar nas paradas brasileiras. O disco vendeu 3.216.000.


Confira o top 10 completo:

1. Padre Marcelo Rossi – Músicas Para Louvar ao Senhor (1998) – 3.228,468
2. Xuxa – Xou da Xuxa 3 (1988) – 3.216,000
3. Leandro & Leonardo (1990) – 3.145,814
4. Só Pra Contrariar (1997) – 2.984,384
5. Xuxa – Xou da Xuxa 4 (1989) – 2.920,000
6. Xuxa – Xegundo Xou da Xuxa (1987) – 2.754,000
7. Leandro & Leonardo – Um Sonhador (1998) – 2.732,735
8. Xuxa - Xou da Xuxa (1986) – 2.689,000
9. Mamonas Assassinas (1995) – 2.468,830
10. Terra Samba – Ao Vivo e a Cores (1998) – 2.450,411

“Adultério” de Paulo Coelho faz sucesso no Brasil e na França



De acordo com a Nielsen, que ainda não computou as vendas da rede de livrarias Saraiva, o novo livro do escritor brasileiro Paulo Coelho, “Adultério”, já é o livro de ficção mais vendido do Brasil deste semestre.

Lançado em abril de 2014, o material já vendeu 65 000 exemplares no Brasil e 140 000 na França.

Marina Lima fala de amores com mulheres e homens



Um dos maiores ícones da MPB nacional tem o nome de Marina Lima. Aos 58 anos, a cantora parece estar cansada de seu jeito discreto. Na verdade, já há algum tempo ela vem mais aberta à mídia, coisa que no passado, principalmente quando estava no topo das paradas, não costumava ser.

Por exemplo, em uma entrevista realizada no finalzinho da década passada, Marina contou que sua primeira experiência homossexual foi com Gal Costa, por quem também se apaixonou perdidamente. Entretanto, ao saber que a estrela da MPB tinha namoradas, ficou chocada e resolveu passar um tempo nos Estados Unidos, de modo a escapar da sedução da baiana. Nessa época Marina estava apenas com 17 anos.

Ao voltar para o país, não conseguiu fugir dos encantos de Gal. “Acabei transando com ela”. Teve também aventuras com outras mulheres, mas a morena foi a mais importante e a que vale a pena falar.

Já com homens, sua primeira experiência aconteceu com um primo, filho do irmão do seu pai. “Fui apaixonada pelo Ewaldo dos 12 aos 16 anos”.

Depois disso vieram outros amores, sucesso comercial, a afirmação como uma das maiores cantoras do Brasil e as decepções amorosas. Atualmente, Marina deixa bem claro que não pretende mais se aventurar com mulheres ou homens que não sabem ainda se querem ou não entrar numa relação.

Sou aberta para qualquer coisa. Quero encontrar um companheiro ou uma companheira para dividir as coisas que eu sei, para compartilhar o meu mundo, de maneira mais madura, adulta.”

A carioca confirmou sua preferência por mulheres porque elas não separam o sexo do amor. “Os homens são complicados. Com eles sou muito seletiva mesmo. E tem de ser bonito”.


Sem ter medo da velhice, Marina Lima, que já foi capa da revista Playboy, se deu conta que o tempo é curto e que não pretende mais perder oportunidades. Seja na vida amorosa ou profissional.

Tabloide americano divulgou imagens polêmicas de Angelina Jolie nos anos 90



De acordo com publicação do tabloide norte-americano National Enquirer, antes de ser a mãe perfeita e a celebridade mais engajada em causas sociais, Angelina Jolie teve um passado sombrio. Claro que isso não é novidade para ninguém. Principalmente para quem acompanha o mundo do cinema.

A atriz, que nunca negou seu passado, apareceu em imagens exclusivas e polêmicas na capa da publicação esta semana, causando “um certo” desconforto para sua família e algumas personalidades do entretenimento dos EUA.


Abatida, mais magra, com olheiras e fumando cigarros, as imagens, feitas por Franklin Mayer, ex-traficante, hoje com 68 anos, que garantiu que fornecia drogas para Jolie na década de 90, foi vendida por uma quantia milionária.

Angelina foi minha cliente durante anos. Eu vendia heroína e cocaína para ela. Nessa época, ela sempre parecia acabada e seus braços tinham marcas de agulha”, contou à revista.


As imagens publicadas foram retiradas de um vídeo feito pelo próprio traficante e, segundo ele, com autorização dela.


terça-feira, 6 de maio de 2014

Novo disco dos Titãs traz quatro faixas inéditas não reveladas no show inédito da banda


Em maio chega o novo disco de inéditas dos Titãs, pela Som Livre, para nossa alegria. Afinal, não tem como não gostar de uma das melhores e maiores bandas do rock nacional, não é galera?!

Nheengatu”, produzido por Rafael Ramos, aporta com repertório de peso, previamente apresentado pelo grupo no show “Titãs Inédito”, de 2012, com quatro faixas não reveladas para aqueles que não foram ao show, que são “Cadáver Sobre Cadáver”, “Canalha”, “Fardado” e “Pedofilia”.

Conheça o nome das 14 músicas de “Nheengatu”:

1.    Fardado
2.    Mensageiro da Desgraça
3.    República dos Bananas
4.    Fala, Renata
5.    Cadáver Sobre Cadáver
6.    Canalha
7.    Pedofilia
8.    Chegada ao Brasil (Terra à Vista)
9.    Eu Me Sinto Bem
10. Flores pra Ela
11. Não Pode
12. Senhor
13. Baião de Dois
14. Quem São Os Animais?

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Top 20 Estados Unidos



Quem domina o topo da parada dos discos mais vendidos nos Estados Unidos é o rapper norte-americano Eminem com seu oitavo disco de inéditas, “The Marshall Mathers LP 2”. Celine Dion vem logo em seguida com “Loved Me Back To Life”, seu décimo primeiro disco e primeiro disco em inglês depois do “Taking Chances”, de 2007.

Confira:


1.    Eminem – The Marshall Mathers LP 2
2.    Celine Dion – Loved Me Back To Life
3.    The Robertsons – Duck The Halls: A Robertson Family Christmas
4.    Katy Perry – Prism
5.    Avril Lavigne – Avril Lavigne
6.    Kelly Clarkson – Wrapped In Red
7.    Drake – Nothing Was The Same
8.    Lorde – Pure Heroine
9.    Arcade Fire – Reflektor
10. Pentatonix – PTX: Vol. II
11. Luke Bryan – Crash My Party
12. Miley Cyrus – Bangerz
13. Florida Georgia Line – Here’s To The Good Times
14. Blake Shelton – Based On A True Story
15. Justin Timberlake – The 20/20 Experience 2
16. Imagine Dragons – Night Visions
17. The Wanted – Word Of Mouth
18. Pearl Jam – Lightning Bolt
19. II Divo – A Musical Affair: The Greatest Songs From The World’s Favoutite Musicals
20. James Blunt – Moon Landing

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Lady Gaga volta com o mediano, mas não tão viciante “ARTPOP”



Eu tinha esperança em ver Lady Gaga diminuir a extensa e cansativa fase de exposição da imagem para dar mais espaço a música, que mesmo aqueles que não curtem muito seu estilo, sabem que ela faz de primeira qualidade.

Recentemente li uma resenha do Zeca Camargo sobre o novo disco da cantora, o ARTPOP, onde exaltou ao máximo os vocais, produção e letras, e pensei, deve ser realmente “o álbum”. Baixei imediatamente e fui conferí-lo.

Foram cerca de quatro audições para não escrever nada que fosse contra a extensa massa de “little monster”, os fãs que manobram, com certa fúria, as opiniões e críticas de tudo que a loira faz.

As críticas na maioria dos portais vêm sendo publicadas com atraso. Eles temem fazer um texto pouco honesto sobre o novo trabalho de Gaga. Penso que seja justamente esperando o resultado das vendas e críticas dos gigantes dos Estados Unidos em relação ao disco.

Como disse, foram, cerca de quatro audições e enquanto escrevo essa resenha o disco vem tocando mais uma vez. Pois bem, vamos ao que interessa.

ARTPOP não chega a ser um disco ruim. Segue uma linha harmônica com qualidade nas letras e sons. Diria que um disco bom. O nível de algumas faixas não chega a mostrar o que Lady Gaga tanto falou nesses dois anos em que o material vinha sendo preparado. Segundo a revista Billboard, o álbum vem se saindo bem nas vendas e pode debutar com 220 mil cópias. Números inferiores ao do disco “Bionic”, da Christina Aguilera, que debutou com 260 mil cópias e é considerado pelos fãs de Gaga um flop.

O material abre com a pouco inspirada “Aura”, que não ficou legal nem no filme “Machete Kills”, seguida por “Vênus”, provavelmente um dos futuros singles de ARTPOP por ser comercial, só que ineficiente para o álbum. Para não me perder no faixa a faixa, vou logo a parte que interessa, já que parte dos fãs ainda não compraram o material/ ou não se acostumaram com as músicas.


Applause”, faixa título do disco, que se tornou um marco na carreira da artista, estreou na Billboard e nas paradas do globo em posições insatisfatórias, mostrando que o que seria uma volta com força total, com planos para mudar o popart foi um tremendo fiasco. O fato é, ARTPOP não impressionou os críticos, e agrada apenas aqueles fãs que não entendem muito de música.

Pensei que em termos comerciais, a cantora se sairia bem pela quantidade de fãs espalhados pelo globo. Só que parece que nem os littles Monsters se renderam ao álbum.

A coisa está tão preta que a gravadora Insterscope Records vem estudando a possibilidade de cortar US$ 25 milhões de divulgação que a loira tinha para promover o material. Claro, tudo isso pela baixa quantidade de vendas, que se comparada ao “Born This Way”, de 2011, que estreou com vendas superiores a 1 milhão de cópias, logo logo cairá no esquecimento.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

“Ok Computer”, um disco fundamental do Radiohead


Direto ao ponto: “Ok Computer” é o disco fundamental na trajetória e discografia do Radiohead. É o rito de passagem de uma banda de relativo sucesso e boas composições para a banda mais influente e importante do mundo desde então. É o disco que inicia o culto ao quinteto e dá uma imensa carta branca nas mãos de Thom Yorke e seus companheiros para fazer o que bem entenderem com a indústria. Porque, por mais que “Pablo Honey” tivesse uma grande música ”Creep” e “The Bends” fosse um apanhado de lindas canções dolorosamente melódicas, a banda até então não tinha ousado e colocado uma assinatura própria em seu som. E, óbvio, foi a evolução de “Ok Computer” que conquistou a devoção de milhões de fãs e alçou a banda ao posto de salvação do rock, transformando Yorke (a contra-gosto) em líder e porta-voz de uma geração.

Sonoramente o disco faz uma releitura tanto do psicodelismo quanto do progressivo, limando os excessos de cada gênero e acrescentando as doses de melancolia tão presentes nos discos anteriores da banda. Mas, ao contrário dos antecessores, mais calcados na harmonia das músicas como um todo, “Ok Computer” apresenta uma preocupação imensa com os detalhes, com os timbres, com as texturas, com os pequenos riffs e solos que pontuam cada verso e estrofe. Suas músicas são mais do que apenas uma base melódica. Elas são como peças de um quebra-cabeça sonoro cuidadosamente estruturado. Seja nos momentos mais densos, como “Exit Music (For A Film)”, “Lucky” e “Climbing Up The Walls”, nos momentos mais vibrantes de “Airbag” e “Paranoid Android”, no britpop de “Electioneering”,  ou no lirismo de “Let Down” e “No Surprises”, a banda vai acrescentando um a um os acordes, as notas, as mudanças, os climas, sem se preocupar com as fórmulas básicas da música pop. Basta dizer que é um disco quase sem refrões.


Olhado com a distância do tempo, “Ok Computer” se apresenta como o retrato de toda uma geração. É como uma ópera-rock que versa sobre a vida moderna, uma crônica em preto e branco do século 21 e principalmente do pós-11 de setembro (não à toa, Thom Yorke sempre foi tratado como visionário). Traz no amargor e na voz sofrida do vocalista a carga de uma era em que as pessoas cada vez mais se isolam de tudo e criam barreiras ao seu redor. É uma época em que a convivência fica cada vez mais distante e impessoal. O egoísmo e a solidão estão presentes o tempo inteiro nos versos cínicos do cantor. Se “The Bends” era um disco basicamente sobre as relações humanas (majoritariamente românticas), “Ok Computer” é um disco sobre o conflito do homem consigo mesmo, um auto-retrato da angústia tão característica do vocalista – e que o assolaria como nunca após o sucesso estrondoso do álbum.

Como retrato de nossa era, “Ok Computer” diagnostica e radiografa perfeitamente os tempos do “politicamente correto”. Primeiro em “Karma Police” e sua ameaça constante de que “isso é o que você leva, quando mexe conosco”. Mas nada como “Fitter, Happier” para explicar a monotonia e mesmice em que tantas pessoas tentam transformar o seu, o meu, o nosso mundo. Esteja em forma, trabalhe bastante, não beba em excesso, coma de forma correta, conviva melhor com as pessoas. Parece o discurso da abertura de “Trainspotting”, um manual de regras simples para a felicidade. De nada adianta, porém, pois esse alívio momentâneo é destruído com força pelo pessimismo assolador de “No Surprises”, um dos melhores retratos do que uma vida com regras pré-estabelecidas pode causar, e que foi traduzido de forma exuberante em seu clipe, em que o vocalista é “afogado” em um aquário enquanto canta: “No alarms, no surprises”. É assim que vale a pena viver, sem ter nenhum tipo de novidade?

No entanto, sem dúvida alguma, a música que melhor expressa o disco como uma unidade é “Paranoid Android” – não por acaso a melhor música da banda. Começa com Yorke tentando espantar seus fantasmas internos enquanto os riffs de guitarra entrelaçados e a linha de baixo circular hipnotizam. O vocalista vai destilando sua ironia e expurgando seus demônios enquanto a canção cresce, até explodir no solo nervoso, rápido, urgente de Jonny Greenwood. De repente tudo acalma e um coro angelical começa a clamar pela chuva, uma pretensa redenção, que chega aos poucos, mas muito mais delicada do que em “Magnólia”. Para terminar a possível lavagem da alma, nada melhor do que uma lógica religiosa máxima transbordando cinismo. “Deus ama seus filhos, Deus ama seus filhos”. É necessário repetir muito para acreditar e não ficar louco neste mundo. “Ok Computer” é, enfim, desde seu título, uma rendição aos tempos modernos. Não há como escapar do que se tornou a nossa época.

Alçada ao posto de melhor banda do mundo, o Radiohead teve que lidar com uma fama que nunca almejou. Para isso, o grupo criou uma base sólida em si mesmo e resolveu traçar seu próprio caminho, com cada passo milimetricamente calculado. O que aconteceu depois disso é história, que culmina com o lançamento de “In Rainbows” em 2007, o álbum que colocou abaixo todo o modelo de indústria musical como a conhecíamos. Mas nada disso seria possível se, 10 anos antes, a banda não tivesse arrebatado uma multidão de fãs com “Ok Computer”. Um disco sublime do primeiro ao último acorde, uma verdadeira obra de arte atemporal capaz de ser reanalisada e redescoberta por novos ângulos com o passar dos anos. O mundo mudou nesse tempo, e só o Radiohead parece ter percebido isso… dez anos atrás.