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domingo, 29 de outubro de 2023

Confira a lista dos 30 álbuns mais vendidos do mundo!!


Michael Jackson, o artista mais bem-sucedido de todos os tempos, além de ser dono do álbum mais vendido da história: Thriller.

Para aparecer na lista, o número de vendas deve ter sido publicado por uma fonte confiável e o álbum deve ter vendido pelo menos 20 milhões de cópias. Esta lista pode conter qualquer tipo de álbum, incluindo álbuns de estúdio, EPs, grandes sucessos, compilações com vários artistas, trilhas sonoras e remixes. Os números apresentados não levam em consideração a revenda de álbuns usados.

Thriller, de Michael Jackson, estimado em vender 70 milhões de cópias em todo o mundo, é o álbum mais vendido. Embora as estimativas de vendas de Thriller tenham chegado a 120 milhões de cópias, esses números de vendas não são confiáveis. Atualmente, Michael Jackson também tem o maior número de álbuns da lista, com cinco, Celine Dion, com quatro, enquanto Whitney Houston, The Beatles e Madonna, cada um com três.

Os agrupamentos são baseados em diferentes níveis de vendas, sendo o mais alto para estimativas de pelo menos 40 milhões de cópias e o mais baixo para estimativas de 20 a 29 milhões de cópias. Os álbuns são listados na ordem do número de cópias vendidas e, posteriormente, pelo primeiro nome do artista. A ordem dos mercados na tabela é baseada no número de CDs vendidos em cada mercado, o maior mercado no topo e o menor no final.
 

Confira os 30 álbuns  ais vendidos de todos os tempos:


1.   Michael Jackson - “Thriller” (1982) – 70 milhões de cópias

2.   AC/DC - “Back in Black” (1980) - 50 milhões de cópias

3.   Whitney Houston – “The Bodyguard” (1992) – 45 milhões de cópias

4.   Pink Floyd – “The Dark Side of the Moon” (1973) – 45 milhões de cópias

5.   Eagles - “Their Greatest Hits” (1971–1975) – 44 milhões de cópias

6.   Meat Loaf – “Bat Out of Hell” (1977) – 43 milhões de cópias

7.   Bee Gees – “Saturday Night Fever” (1977) – 40 milhões de cópias

8.   Fleetwood Mac – “Rumours” (1977) – 40 milhões de cópias

9.   Shania Twain - “Come On Over” (1997) – 40 milhões de cópias

10. Trilha Sonora – “Grease” (1978) - 38 milhões de cópias

11. Led Zeppelin - “Led Zeppelin IV” (1971) - 37 milhões de cópias

12. Michael Jackson – “Bad” (1987) - 35 milhões de cópias

13. Alanis Morissette – “Jagged Little Pill” (1995) - 33 milhões de cópias

14. Eagles – “Hotel California” (1976) - 32 milhões de cópias

15. Celine Dion – “Falling into You” (1996) - 32 milhões de cópias

16. The Beatles – “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” (1967) - 32 milhões de cópias

17. Trilha Sonora – “Dirty Dancing” (1987) – 32 milhões de cópias

18. Michael Jackson – “Dangerous” (1991) – 32 milhões de cópias

19. Adele - “21” (2011) - 31 milhões de cópias

20. Celine Dion – “Let's Talk About Love” (1997) - 31 milhões de cópias

21. Metallica – “Metallica” (1991) – 31 milhões de cópias

22. The Beatles  - “1” (2000) - 31 milhões de cópias

23. ABBA - “ABBA Gold: Greatest Hits” (1992) - 30 milhões de cópias

24. Madonna – “The Immaculate Collection” (1990) – 30 milhões de cópias

25. The Beatles  - “Abbey Road” (1969) – 30 milhões de cópias

26. Bruce Springsteen – “Born in the U.S.A.” (1984) – 30 milhões de cópias

27. Dire Straits – “Brothers in Arms” (1985) – 30 milhões de cópias

28. Trilha Sonora – “Titanic” (1997) – 30 milhões de cópias

29. Nirvana – “Nevermind” (1991) – 30 milhões de cópias

30. Pink Floyd - "The Wall" (1979) - 30 milhões de cópias

domingo, 9 de setembro de 2018

“4” - LOS HERMANOS

A Banda formada pelo quarteto carioca "Rodrigo Barba (Bateria), Bruno Medina (Teclado), Rodrigo Amarante (Guitarra e voz) e Marcelo Camelo (Guitarra e voz)", acaba de lançou seu 4º cd intitulado de 4, simples nome para uma banda tachada de difícil.

Por que difícil? seriam as letras, para muitos complexas? Seria a sonoridade – mutante, se me permitem a criação do termo, que a banda apresenta a cada trabalho? Seria por não ser uma banda comercial que faz show para plateias de pseudo-revoltados-gritões (desculpe mais esta criação de termo)? Seria por não fazer propaganda para refrigerante ou qualquer outra coisa do gênero? Infelizmente nem mesmo quem a tacha como tal sabe o porquê.

Não creio que falar o que se sente ou pensa de forma que não rime "paixão com coração" possa ser tão ruim a ponto de a cada trabalho maravilhosamente bem feito (tanto em letra como em arranjo) uma série de pseudo-críticos venham descer a lenha nos Hermanos.


No seu último trabalho de inéditas esta qualidade conjunta de arranjos e letras fica mais do que nunca óbvia de amadurecimento musical da banda, um amadurecimento mutável a cada trabalho apresentado pelo quarteto, como já dito neste. O Cd passa de Mpb, mambo, rock, samba-canção e flerta até mesmo com o épico (vide "horizonte distante"). As letras de Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante continuam surpreendendo, assim como a construção do cd.

A forma de disposição das músicas no mesmo consegue fazer com que se sinta, e não somente se ouça "4". A banda mais uma vez se refugiou em um sítio na região serrana do Rio de Janeiro para construção deste disco, e juntamente com o produtor Kassin, volta a figurar entre as mais tocadas nas rádios com o single "O Vento", música de lançamento do 4, e como já divulgado pela banda, terá a excepcional "Condicional" como próxima a ser tocada mas rádios.


Pela primeira vez a banda lança um trabalho puxado por uma composição de Rodrigo Amarante, e tendo também a segunda música a ser tocada comercialmente com letra do mesmo.

4...várias especulações em torno do nome, mas ao meu ver 4 significa mesmo sentir o novo trabalho desta banda com os 4 sentidos: um disco para se ver, sentir, cheirar e é claro ouvir.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Confira quais são 20 álbuns mais vendidos de todos os tempos

1. Thriller – Michael Jackson
Lançado em 1982, Thriller é o sexto álbum da carreira do cantor Michael Jackson e foi lançado em 30 de novembro de 1982. Com 65 milhões de cópias vendidas, além de ser o álbum mais vendido da história, também rendeu a Jackson um recorde de oito prêmios Grammy, em 1984. O disco tem grandes sucessos do cantor, como "Billie Jean", "Beat It" e, é claro, "Thriller".


2. Back in Black – AC/DC
Sétimo álbum de estúdio da banda australiana AC/DC, Back in Black vendeu mais de 50 milhões de cópias em todo o mundo. Lançado em 25 de julho de 1980, foi gravado após a morte do vocalista Bon Scott e tem hits como "Hells Bells", "You Shook me All Night Long" e "Back in Black".


3. The Dark Side of the Moon – Pink Floyd
"The Dark Side of the Moon" marca uma mudança no estilo da banda Pink Floyd e se destaca por usar recursos diferentes e criativos para época. Em terceiro lugar na lista, o álbum alcançou a marca de 50 milhões de cópias em vendas.


4. Bad – Michael Jackson
Novamente, vemos o Rei do Pop entre os álbuns mais vendidos. Além da marca histórica de Thriller, Michael também se destacou com Bad, que alcançou 45 milhões de cópias. Com esse disco, o cantor também conquistou o recorde de ter cinco músicas em primeiro lugar nos Estados Unidos: "I Just Can't Stop Loving You", "Bad", "The Way You Make Me Feel", "Man in the Mirror" e "Dirty Diana". Katy Perry foi a única cantora a alcançar o mesmo feito, com Teenage Dream, em 2011.


5. The Bodyguard – Trilha sonora do filme "O Guarda-Costas"
Lançado em 1992, o filme "O Guarda-Costas" foi estrelado por Kevin Costner e Whitney Houston, sendo o primeiro papel da cantora no cinema. Whitney gravou seis músicas para a trilha da obra e manteve "I Will Always Love You" por 14 semanas seguidas na primeira posição Hot 100 da Billboard. O álbum se saiu muito bem, vendendo 45 milhões de cópias. Uma curiosidade: a música-tema do filme é uma canção original de Dolly Parton, lançada em 1974.


6. Bat Out of Hell – Meat Loaf
Até hoje uma referência no rock, Bat out of Hell foi lançado em 1977 e teve a produção de Todd Rundgren. O álbum vendeu nada menos que 43 milhões de cópias.


7. Their Greatest Hits – Eagles
Lançado em 1976, o álbum é a primeira compilação dos sucessos da banda Eagles. Com mais de 42 milhões de cópias vendidas, traz sucessos como "Take It Easy", "Witchy Woman" e "Lyin' Eyes".


8. O Fantasma da Ópera – Andrew Lloyd Webber
Baseado no romance homônimo de Gaston Leroux, o musical "O Fantasma da Ópera" virou álbum e vendeu 40 milhões de cópias.


9. Saturday Night Fever – Trilha sonora do filme "Os Embalos de Sábado à Noite"
Mais uma trilha sonora de filme marca a lista dos álbuns mais vendidos da história. Lançado em 1977, Saturday Night Fever vendeu 40 milhões de cópias e foi um marco na era disco, consagrando grandes sucessos da banda Bee Gees, como "Stayin' Alive", "How Deep Is Your Love?", "Night Fever” e "More than a Woman".


10. Rumours – Fleetwood Mac
Vencedor do Prêmio Grammy de Álbum do Ano, Rumours vendeu aproximadamente 40 milhões de cópias e teve grandes singles, como "Go Your Own Way", "Don't Stop", "Dreams" e "You Make Loving Fun".

11. Come on Over – Shania Twain
12. Led Zeppelin IV – Led Zeppelin
13. Nevermind – Nirvana
14. Jagged Little Pill – Alanis Morissette
15. Falling into You – Céline Dion
16. Hotel California – Eagles
17. Music Box – Mariah Carey
18. Dangerous – Michael Jackson
19. Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band – The Beatles
20. Trilha sonora do filme “Dirty Dancing”

quinta-feira, 26 de março de 2015

Discografia... One Direction

One Direction é uma boyband pop formada na cidade de Londres, Reino Unido, em 2010. composta pelos britânicos Harry Styles, Liam Payne, Louis Tomlinson, Zayn Malik e pelo irlandês Niall Horan.

O quinteto foi formado após seus membros participarem do reality show musical The X Factor como competidores solo, até que, durante o programa, a cantora Nicole Scherzinger e Simon Cowell os uniram para concorrer como um grupo.

A banda acabou em terceiro lugar do programa, atrás de Matt Cardle e Rebecca Ferguson, mas hoje se mantém a frente de todos os ganhadores do programa com vendas de discos, turnês e singles.


Conheça os discos lançados pelo grupo:

Four
2014
LANÇAMENTO
Steal My Girl
Night Changes

Midnight Memories
2013
4 MILHÕES DE CÓPIAS VENDIDAS
Best Song Ever
Story of My Life
Midnight Memories
You and I

Take Me Home
2012
5,3 MILHÕES DE COPIAS VENDIDAS
Live While We're Young
Little Things
Kiss You

Up All Night
2011
4,5 MILHÕES DE CÓPIAS VENDIDAS
What Makes You Beautiful
Gotta Be You
One Thing
More than This

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Alanis Morissette | Jagged Little Pill (1995)


Melhor e mais importante disco da carreira de Alanis Morissette, “Jagged Little Pill” demorou a ser aceito por uma gravadora sendo lançado sem grandes expectativas pelo então selo de Madonna (e braço da Warner), Maverick.

Com a produção de Glen Ballard, apostando no rock alternativo para as letras diretas de Alanis, o álbum alcançou o número 1 da Billboard durante várias semanas, conquistou quatro prêmios Grammy e entrou para o Guiness Book como o disco de estreia feminino mais vendido no mundo (hoje já ultrapassa a marca de 30 milhões de cópias) – apesar de não ter sido seu disco de estreia.


No repertório, canções que funcionaram como catarse para a raiva reprimida de uma Alanis pós-adolescente frustrada com os rumos da própria vida. Tanta frustração levou o álbum a emplacar os cinco singles lançados (da rancorosa “You Oughta Know” – que conta com a participação de Flea no baixo e Dave Navarro na guitarra –, à balada romântica “Head Over Feet”; passando pelo otimismo de “You Learn” e “Hand in My Pocket” e o maior hit do CD, “Ironic”) e elevou Alanis ao título de rock star que influenciaria toda uma geração de cantoras que vão de Michelle Branch a Katy Perry (e gerou até clones como a eslovena Zuzana Smatanova).


O sucesso obrigou Alanis a realizar uma extensa turnê de um ano meio ao redor do mundo e a cantora começou a sentir a pressão, chegando quase a cancelar alguns shows devido à estafa. Já no final da turnê, a canadense passou a apresentar algumas músicas novas que compunha na estrada, a maioria disponível apenas em bootlegs (como “A Year Like This One”, onde Alanis desabafa: “Depois de um ano como esse, estou surpresa por amar a música ainda do mesmo jeito”). Apesar de ter ficado conhecida pela “raiva contra ex-namorados”, no disco Alanis aborda também questões como chefes abusivos (“Right Through You”), pressões familiares (“Perfect”), fé católica (“Forgiven”) e depressão (“Mary Jane”). Há ainda uma faixa-bônus escondida (“Your House”), onde Alanis canta a capella.

Ouça: “Forgiven”, “Mary Jane”, “Head Over Feet”, “You Learn”,”You Oughta Know”, “Ironic”, “Hand in My Pocket


Nota: 10

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Alanis Morissette | Primeiros Anos: Alanis e Now Is The Time, 1991-92


Alanis Morissette tinha apenas 17 anos em 1991, quando lançou o seu primeiro disco no Canadá pelo selo MCA (que nos anos 60 atendia pelo nome de Decca, primeira gravadora dos Rolling Stones).

Alanis”, o álbum, rendeu um disco de platina à cantora (100 mil cópias vendidas) e um Juno Awards como Cantora Mais Promissora do Ano. Composto em parceria com Leslie Howe e puxado pelo single “Too Hot”, o álbum fez Alanis despontar no país como cantora adolescente de dance-pop, com direto a clipes cheios de dançarinos e coreografias no palco.

No ano seguinte saiu “Now Is The Time”, disco de baladas que recebeu pouca atenção do público e fez com que a MCA não renovasse seu contrato. Aos 19, sem contrato e desiludida com os rumos da sua breve carreira, Alanis decide sair do Canadá e tentar a sorte nos Estados Unidos.

Inspirada pelo tom confessional do álbum “Little Earthquakes”, de Tori Amos, escreve sobre seus próprios problemas e vai bater na porta do produtor Glen Ballard, que a ajuda a compor o seu álbum de estreia mundial.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Gal Costa | Recanto (2011)


Viver é um desastre que sucede a alguns.” Tomo o verso escrito por Caetano Veloso como um elogio ao amor fati, um canto de júbilo pela existência, pela singularidade da arte, pela vida em seu caráter multiforme. Ora, em que consiste o “desastre” se não na própria incongruência entre o caos e a forma, restando somente o ímpeto de conferir sentido a um turbilhão que nos é, antes de mais nada, indiferente? Neste caso, o desastre não possui o significado de “catástrofe”, mas de algo que irrompe inevitavelmente, de um acontecimento inexorável. Aqui, Recanto quer dizer "re-cantar", refazer, recompor...

O primeiro álbum que Caetano Veloso produziu para Gal Costa, Cantar (1974), com Perinho Albuquerque, se inscrevia no refluxo londrino, a partir do qual ele e Gilberto Gil reconfiguraram suas posições no cenário da música brasileira. Lá se pode escutar a mistura de estilos (bossa, rock, soul, fado…) que caracterizou o Tropicalismo, bem como os compositores afinados com o mesmo legado (Donato, Jobim, Péricles Cavalcanti, Carlos Lyra, Mautner).

Porém, percebe-se uma diferença importante. Nos primeiros discos, Gal experimentava consideráveis variações de registro, ora investindo na economia singela de Domingo (com Caetano, 67), ora esbanjando vigor e uma certa ironia, como nos dois discos homônimos de 69 e Le Gal, de 70. A pluralidade de interesses cara ao Tropicalismo contaminou seu canto até explodir no verdadeiro acontecimento que foi Gal a Todo Vapor, disco e show.

Ocorre que em Índia e, adiante, Cantar, estas variações deram lugar a uma estabilidade estilística, que conjugava seu timbre melífluo com energia e força de expressão. Pode-se dizer que até início da década de 90, o canto de Gal Costa manteve-se nesse registro, sem prejuízo para bons álbuns como Gal Canta Caymmi (1976) e Água Viva (1978). Desenho essa genealogia de seu canto para sublinhar algo que parece ter passado desapercebido em relação a Recanto. Muitos foram seus produtores, de Manoel Barenbein a Arto Lindsay, de Mazolla a Morelembaum, de Perinho Albuquerque a Waly Salomão, entre outros. Mas o canto de Gal Costa, me parece, sempre foi e ainda é um assunto para uma única pessoa: Gal Costa


Desta lista de produtores, o mais ousado e criativo é, sem dúvida, Caetano Veloso, que até por conta do laço de amizade, conhece sua biografia, compreende seu pensamento musical, o estágio no qual se encontra sua voz e, sobretudo, aquilo que Gal Costa de fato quer cantar. Em entrevistas, ambos manifestaram receio em relação à proposta de Recanto, cuja sonoridade se encontraria em sintonia com duas importantes cenas contemporâneas: a produção eletrônica e o improviso instrumental. Pela primeira vez em muitos anos, um trabalho de Gal Costa retoma o espírito experimental comum aos discos dos 60 e 70. Mesmo em relação a seu último disco digno de nota, O Sorriso do Gato de Alice (1993), produzido por Arto LindsayRecanto sobressai, pois trata-se não só de uma investida em outras sonoridades, mas na própria concepção estética de intérprete.  

As programações eletrônicas enxutas, contribuição fundamental de Kassin, casam perfeitamente com seu timbre grave e metálico, qualidade perceptível nas duas mais belas faixas do disco, “Recanto Escuro” e “Tudo Dói”. Além da presença de instrumentistas do calibre de Donatinho (teclado), Alberto Continentino (contrabaixo), Pedro Sá (guitarra) e Luis Filipe de Lima (violão de 7 cordas), Recanto conta com duas bandas cariocas especializadas em improvisação: o Rabotnik, no blues anômalo “O Menino”, e o Dupplex de Bartolo e Léo Monteiro na melancolia visceral de “Madre Deus”. Há que se notar também a inserção bossanovista da sugestiva “Mansidão”, com Morelembaum e Daniel Jobim. Recanto se afirma na harmonização entre universos aparentemente  distantes, mas que são singularmente unificados pelo canto de Gal.

Em termos temáticos, tal qual o último disco de Chico Buarque, o momento pessoal forneceu a matéria-prima a partir da qual Caetano elaborou as letras, misturando olhares e perspectivas: Caetano olhando para Gal em “O Menino”, Gal respondendo a Caetano em “Recanto Escuro”, os dois se entreolham em “Mansidão” (que retoma a prática do canto como tema, tal qual em Cantar) e riem juntos no suingue sagaz de “Miami Maculelê” – cujo pulo do gato é o prato do samba de roda se fazendo de hi-hat do funk. 

Por fim, a visão segundo a qual Recanto é um disco “eletrônico” é evidentemente equívoca, mero subproduto do jornalismo e do marketing. Em Recanto, sobressai a forma do canto de Gal, criativamente adaptado a um cenário tomado por uma certa melancolia, pela batucada robótica e um conjunto de canções perceptivelmente esgarçadas pela intenção de dialogar com a aridez dos arranjos – às vezes nos lembramos de Third, do Portishead, outras da “cristaleira digital” de Björk...

Explorando nuances, alturas e possibilidades no registro mais grave, no sussurro, na exploração simbólica dos efeitos (como em "Autotune Autoerótico"), ou nas entonações minimalistas de “Neguinho” e da soturna “Sexo e Dinheiro”, Gal, mais uma vez, reinventou-se a si mesma. Sim, viver é um “desastre” que nos leva a experimentar encontros, máscaras e identidades. “Só deus sabe o duro que eu dei”, ela canta pelas palavras de Caetano. Ou seria Caetano poetizando, “palavreando” o canto expressivo e inigualável de Gal Costa





NOTA FINAL
★★★★★

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Primeiro disco de Gal Costa e Caetano Veloso |Domingo

“Domingo” é o primeiro álbum de Caetano Veloso e Gal Costa.
O disco foi lançado em 1967 pela gravadora Philips. Com uma sonoridade totalmente bossa novista, marcou a estreia dos dois cantores naquela gravadora. O disco foi produzido por Dori Caymmi, (filho de Dorival), que foi convidado pelo então diretor João Araújo, pai do cantor Cazuza, para escrever os arranjos.
Ao disco pertence o primeiro grande sucesso de Gal e Caetano, "Coração Vagabundo". Mesmo não tendo sido um estrondoso sucesso, garantiu um bom reconhecimento à dupla e também foi muito aclamado por pessoas do meio musical da época, como Elis Regina, Wanda Sá, Edu Lobo, Dori Caymmi, dentre outros.
A música "Minha Senhora" foi defendida por Gal no Festival Internacional da Canção de 1966.

Todas as faixas foram compostas por Caetano Veloso, exceto onde estiver indicado diferentemente.

1.    Coração vagabundo
2.    Onde eu Nasci Passa Um Rio
3.    Avarandado
4.    Um Dia
5.    Domingo
6.    Nenhuma Dor
7.    Candeias
8.    Remelexo
9.    Minha Senhora
10. Quem Me Dera
11. Maria Joana
12. Zabelê