terça-feira, 7 de janeiro de 2020

“Coringa” lidera indicações ao BAFTA; confira a lista completa

BAFTA, também conhecido como se fosse o Oscar britânico, liderou a lista de indicações nesta terça-feira (07). Como esperado, o líder de indicação é “Coringa”, com 11 ao todo, incluindo Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Ator. Já o sucesso da Netflix e Martin Scorsese, “O Irlandês”, fica com 10 indicações.

1917”, o vencedor de Melhor Filme no Globo de Ouro, foi indicado a 9 vezes pela Academia Britânica de Artes do Cinema e Televisão. A cerimônia acontece no dia 07 de fevereiro, em Londres.


Confira a lista aqui:

Melhor Filme
1917
O Irlandês
Coringa
Era Uma Vez em… Hollywood
Parasita

Melhor Filme Britânico
1917
Bait
For Sama
Rocketman
Sorry We Missed You
Os Dois Papas

Melhor Estreia de um Diretor, Produtor ou Roteirista Britânico
Bait, Mark Jenkin (Diretor/Roteirista), Kate Byers, Linn Waite (Produtor)
For Sama, Waad Al-Kateab (Diretor/Produtor), Edward Watts (Diretor)
Maiden, Alex Holmes (Diretor)
Only You, Harry Wootliff (Roteirista/Diretor)
Retablo, Álvaro Delgado-Aparicio (Roteirista/Diretor)

Melhor Filme de idioma não-inglês
The Farewell
For Sama
Dor e Glória
Parasita
Retrato de uma Jovem em Chamas

Melhor Documentário
American Factory
Apollo 11
Diego Maradona
For Sama
The Great Hack

Melhor Animação
Frozen 2
Klaus
Shaun, o Carneiro: Aliens
Toy Story 4

Melhor Diretor
1917, Sam Mendes
O Irlandês, Martin Scorsese
Coringa, Todd Phillips
Era Uma Vez em… Hollywood, Quentin Tarantino
Parasita, Bong Joon-Ho

Melhor Roteiro Original
Fora de Série, Susanna Fogel, Emily Halpern, Sarah Haskins, Katie Silberman
Entre Facas e Segredos, Rian Johnson
História de um Casamento, Noah Baumbach
Era Uma Vez em… Hollywood, Quentin Tarantino
Parasita, Han Jin Won, Bong Joon-Ho

Melhor Roteiro Adaptado
O Irlandês, Steven Zaillian
Jojo Rabbit, Taika Waititi
Coringa, Todd Phillips, Scott Silver
Adoráveis Mulheres, Greta Gerwig
Os Dois Papas, Anthony Mccarten

Melhor Atriz
Jessie Buckley, As Loucuras de Rose
Scarlett Johansson, História de um Casamento
Saoirse Ronan, Adoráveis Mulheres
Charlize Theron, O Escândalo
Renée Zellweger, Judy: Muito Além do Arco-Íris

Melhor Ator
Leonardo Dicaprio, Era Uma Vez em… Hollywood
Adam Driver, História de um Casamento
Taron Egerton, Rocketman
Joaquin Phoenix, Coringa
Jonathan Pryce, Os Dois Papas

Melhor Atriz Coadjuvante
Laura Dern, História de um Casamento
Scarlett Johansson, Jojo Rabbit
Florence Pugh, Adoráveis Mulheres
Margot Robbie, O Escândalo
Margot Robbie, Era Uma Vez em… Hollywood

Melhor Ator Coadjuvante
Tom Hanks, Um Lindo Dia na Vizinhança
Anthony Hopkins, Os Dois Papas
Al Pacino, O Irlandês
Joe Pesci, O Irlandês
Brad Pitt, Era Uma Vez em… Hollywood

Melhor Trilha Sonora
1917, Thomas Newman
Jojo Rabbit, Michael Giacchino
Coringa, Hildur Guđnadóttir
Adoráveis, Mulheres Alexandre Desplat
Star Wars: A Ascensão Skywalker, John Williams

Melhor Direção de Elenco
Coringa, Shayna Markowitz
História de um Casamento, Douglas Aibel, Francine Maisler
Era Uma Vez em… Hollywood, Victoria Thomas
The Personal History Of David Copperfield, Sarah Crowe
Os Dois Papas, Nina Gold

Melhor Fotografia
1917, Roger Deakins
O Irlandês, Rodrigo Prieto
Coringa, Lawrence Sher
Le Mans ’66, Phedon Papamichael
O Farol, Jarin Blaschke

Melhor Edição
O Irlandês, Thelma Schoonmaker
Jojo Rabbit, Tom Eagles
Coringa, Jeff Groth
Le Mans ’66, Andrew Buckland, Michael Mccusker
Era Uma Vez em… Hollywood, Fred Raskin

Melhor Design de Produção
1917, Dennis Gassner, Lee Sandales
O Irlandês, Bob Shaw, Regina Graves
Jojo Rabbit, Ra Vincent, Nora Sopková
Coringa, Mark Friedberg, Kris Moran
Era Uma Vez em… Hollywood, Barbara Ling, Nancy Haigh

Melhor Figurino
O Irlandês, Christopher Peterson, Sandy Powell
Jojo Rabbit, Mayes C. Rubeo
Judy: Muito Além do Arco-Íris, Jany Temime
Adoráveis Mulheres, Jacqueline Durran
Era Uma Vez em… Hollywood, Arianne Phillips

Melhor Maquiagem e Cabelo
1917, Naomi Donne
O Escândalo, Vivian Baker, Kazu Hiro, Anne Morgan
Coringa, Kay Georgiou, Nicki Ledermann
Judy: Muito Além do Arco-Íris, Jeremy Woodhead
Rocketman, Lizzie Yianni Georgiou

Melhor Som
1917, Scott Millan, Oliver Tarney, Rachael Tate, Mark Taylor, Stuart Wilson
Coringa, Tod Maitland, Alan Robert Murray, Tom Ozanich, Dean Zupancic
Le Mans ’66, David Giammarco, Paul Massey, Steven A. Morrow, Donald Sylvester
Rocketman, Matthew Collinge, John Hayes, Mike Prestwood Smith, Danny Sheehan
Star Wars: A Ascensão Skywalker, David Acord, Andy Nelson, Christopher Scarabosio, Stuart Wilson, Matthew Wood

Melhores Efeitos Visuais
1917, Greg Butler, Guillaume Rocheron, Dominic Tuohy
Vingadores: Ultimato, Dan Deleeuw, Dan Sudick
O Irlandês, Leandro Estebecorena, Stephane Grabli, Pablo Helman
O Rei Leão, Andrew R. Jones, Robert Legato, Elliot Newman, Adam Valdez
Star Wars: A Ascensão Skywalker, Roger Guyett, Paul Kavanagh, Neal Scanlan, Dominic Tuoh

Melhor Curta de Animação Britânico
Grandad Was A Romantic, Maryam Mohajer
In Her Boots, Kathrin Steinbacher
The Magic Boat, Naaman Azhari, Lilia Laurel

Melhor Curta Britânico
Azaar, Myriam Raja, Nathanael Baring
Goldfish, Hector Dockrill, Harri Kamalanathan, Benedict Turnbull, Laura Dockrill
Kamali, Sasha Rainbow, Rosalind Croad
Learning To Skateboard In A Warzone (If You’re A Girl), Carol Dysinger, Elena Andreicheva
The Trap, Lena Headey, Anthony Fitzgerald

Estrela Revelação
Awkwafina
Jack Lowden
Kaitlyn Dever
Kelvin Harrison Jr.
Micheal Ward

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Biografias e livros de memórias lançados em 2019 que você precisa ler

Não é nem de longe uma novidade o encantamento do público com livros de memórias. As biografias e suas vertentes próximas sempre figuraram no topo das listas de itens mais vendidos nas livrarias. Claro, quem nunca quis poder mergulhar nos pensamentos de um ídolo, passear livremente por bastidores ou mesmo reviver situações ou fases icônicas? Sucesso de público e crítica, esse gênero se consagrou mais uma vez em 2019 ao promover momentos de honra, emoção e glória a nós, bons leitores.

Em meio a tanto, também pudemos seguir viagem rumo a horizontes que se distanciam do glamour. Abraçamos os dramas de personagens que muita gente trocaria de calçada, só pra não ter que dar um bom dia. As dores da perda, da solidão, da velhice. Ler, afinal, é também se colocar na pele de alguém. Já montou sua lista de leitura pras férias? Caso a resposta tenha sido não, o Ponto Zzero te ajuda reunindo algumas das melhores publicações feitas ao longo deste ano.

Prince, “The Beautiful Ones”

Eleito um dos livros do ano pelo The New York Times. Podemos começar assim a descrição de “The Beautiful Ones”, obra que reúne as memórias inacabadas de Prince, gênio que nos deixou precocemente em 2016. O texto narra em primeira pessoa como uma criança tímida, crescida na década de 1960, absorveu o mundo ao seu redor para criar a persona visionária que o alçou definitivamente aos anais da história. São a genialidade, a imaginação e as palavras precisas de alguém que sempre se entregou por inteiro – mas foi embora cedo demais.

Temos nas mãos um trabalho de curadoria incrível que reúne ainda fotos, manuscritos e anotações nunca antes vistos. Se a morte de Prince hoje, quase quatro anos depois, é vista por você como algo banal, faça o exercício de leitura: você sentirá uma falta avassaladora do ícone. Por enquanto, ainda não há previsão de lançamento em português – o que não torna a experiência menos interessante. Ótima oportunidade pra praticar o idioma e colocar os discos pra tocar enquanto lê!

Chico Felitti, “Ricardo e Vânia”

Após 13 anos tentando se aproximar de Ricardo da Silva Corrêa, figura conhecida nas ruas de São Paulo pelo ingrato (e ofensivo) apelido de “Fofão da Augusta”, o jornalista Chico Felitti conseguiu ter acesso a sua história de vida e escrever um perfil. Publicado inicialmente no site Buzzfeed Brasil, o conteúdo ganhou milhões de acessos em poucas horas. Tempos depois, se transformou em livro. Em “Ricardo e Vânia”, Felitti resgata a trajetória de dois jovens gays que saem do interior de São Paulo rumo à cidade grande.

O que havia por trás dessas figuras marginalizadas? Um grande amor e uma história que surpreende: nos anos 1970 e 1980, quando fugiu do interior e se estabeleceu em São Paulo ao lado de sua amada Vânia, Ricardo falava inglês e francês, era apaixonado pela arte drag e de rua, tinha status e muita fama – algo que o permitia circular entre as cenas underground e mainstream, onde trabalhava como cabeleireiro. O que aconteceu depois? Uma leitura sensível, que nos faz terminar com os olhos marejados. Quem publica é a Todavia.

Patti Smith, “O Ano do Macaco”

O ano é 2016 e a poetisa do punk, Patti Smith, celebra sozinha, em um quarto de hotel, seu aniversário de 70 anos. Às vésperas do ano novo, seu amigo inseparável Sam Shepard cai de cama e pouco tempo depois morre – no mesmo período em que ela se prepara para uma extensa turnê pelos Estados Unidos. Em seu novo livro de memórias, “O Ano do Macaco”, a maior voz feminina de todos os tempos do punk resgata memórias e divagações feitas ao longo destes que são descritos como os meses mais difíceis de sua vida – sensação potencializada pela polarização política do país graças à eleição de Donald Trump.

Publicado pela Companhia das Letras, o projeto traz mais uma amostra da visceralidade narrativa da autora, premiada em 2010 com o National Book Award. A novidade chegou ao Brasil em um momento super oportuno: em novembro, de passagem pelo país para duas apresentações, Patti conversou com fãs no teatro do Sesc Pompéia, em São Paulo.  Caso você também se interesse, saiba que há outros livros dela traduzidos para o português – recomendo muitíssimo a leitura de cada um. Em ordem, “Só Garotos”, “Linha M” e “Devoção”. 

Fernanda Montenegro, “Prólogo, Ato, Epílogo”

Uma vida inteira dedicada à arte. Fernanda Montenegro chegou aos 90 anos gloriosa, dedicando-se a mil e um projetos. Um deles foi o lançamento de seu livro de memórias, “Prólogo, Ato, Epílogo”, também lançado pela Companhia das Letras e redigido em parceria com a jornalista Marta Góes.

Afetiva, inteligente e sagaz, a obra promove um delicioso reencontro da atriz com suas origens ao narrar os dramas e aventuras de seus antepassados europeus, percorrer sua infância, o início no rádio, os duros tempos no teatro e os trabalhos que a alçaram ao posto de grande drama da dramaturgia – chegando a, inclusive, concorrer ao Oscar em 1999. Trata-se de um olhar para o passado e um grito de resistência dado no presente. Um dos melhores livros do ano, sem dúvida!

Jotabê Medeiros, “Raul Seixas: Não Diga Que a Canção Está Perdida”

A Todavia lançou em novembro deste ano a biografia “Raul Seixas: não diga que a canção está perdida”, que como o próprio nome diz se empenha em uma reconstrução da vida epopeica de Raul Seixas. Narrando em detalhes como um garoto de classe média de Salvador, fã de Elvis Presley, se tornou em um dos maiores ídolos do pop brasileiro, o livro se propõe a uma série de questionamentos.

Quais caminhos o cantor trilhou até que hits como “Maluco Beleza” e “Sociedade Alternativa” tomassem conta das rádios? Como as drogas e o alcoolismo o derrotaram, em meio a tanta sede de criar? Há mesmo evidências de que o ícone teria entregado o amigo Paulo Freire para o regime militar? De onde vinha tamanha inspiração? De autoria de Jotabê Medeiros, mesmo responsável pela elogiada biografia de Belchior, esta é uma leitura indispensável para os amantes da música brasileira.

Luísa Marilac, “Eu, Travesti”

A vida de Luísa Marilac nem sempre foi fácil. Vinda de uma família conservadora e de classe baixa, aos 16 anos ela levou 7 facadas. Aos 17 se assumiu travesti e, tempos depois, foi vítima do tráfico humano, tendo sido levada para a Europa e obrigada a se prostituir. Estuprada, presa mais de uma vez, ela viu sua vida mudar ao postar um vídeo na internet e ter um bordão seu viralizado: “E disseram que eu estava na pior”.

Além de toda essa bagagem de traumas enfrentada por uma parte considerável dos LGBTQ+, Luísa é também um exemplo de força e resiliência. Ativista, musa e também poeta, ela constrói um relato íntimo de sua trajetória – dedicado, nas palavras da jornalista Nana Queiroz, a todas aquelas que não puderam viver para contar suas histórias.

Debbie Harry, “Face It: A Memoir”

Hey, Blondie! As cantadas baratas que Debbie Harry cansou de escutar pelas ruas de Nova York deram nome a uma das bandas mais fabulosas – e inventivas – de todos os tempos. Com mais de 40 anos de estrada, uma infinidade de hits emplacados e uma legião de fãs ao redor do mundo, o Blondie é hoje sinônimo de longevidade. Após ter passado pelo Brasil no último ano em um show inesquecível no Popload Festival, a musa da new wave decidiu se empenhar na produção de um relato que esmiúça de forma corajosa, bela e muito, muito punk os caminhos que trilhou. Mesclando relatos a peças de arte visual, a artista revela em quase 400 páginas episódios históricos vividos ao lado de gente como Iggy Pop, os Ramones, o Television e David Bowie (que rende uma passagem, digamos, bem inusitada. Sem spoilers!).

O que eu mais gosto nisso tudo? Dona de uma sensibilidade única, Debbie fala sem pompa alguma sobre seu afastamento da música, sua aproximação com o cinema (neste meio tempo rolaram mais de 30 filmes), os desafios da carreira solo e seu retorno triunfante à banda, já nos anos 1990. Ah, e ela também arrasa ao falar sobre seus projetos sociais, alguns deles voltados para a defesa da causa LGBTQ+.

João Marcelo Bôscoli, “Elis e eu”

É, só tinha de ser com você. Se para nós, meros mortais, a lembrança de Elis Regina pode ser um misto de afeto e ausência, imagine para aqueles que conviveram com a maior e mais poderosa voz que o Brasil já viu surgir. Em “Elis e eu: 11 anos, 6 meses e 19 dias com minha mãe”, lançado pela editora Planeta, o produtor musical João Marcelo Bôscoli compartilha com o leitor todas as suas memórias ao lado da mãe, morta em 1982.

Logo na descrição, Bôscoli deixa claro que não há pesquisa externa, consultas bibliográficas ou mesmo a transcrição de conversas. São apenas lembranças suas de uma mulher, que ali não era a cantora, em situações capazes de conferir à sua existência um outro contorno. Uma obra pra ser lida com os discos ao fundo, porque se é pra ser fã de Elis, você precisa se permitir sentir.

Elton John, “Me, Elton John”

Ainda no embalo de “Rocketman”, elogiada cinebiografia que chegou aos cinemas com Taron Egerton no papel principal, o rei Elton John preparou o lançamento de sua autobiografia. “Eu, Elton John”, já publicada em português pela Planeta, ressalta os altos e baixos que o fizeram atravessar décadas invicto e se tornar mais longevo hitmaker de todos os tempos. Estão na obra relatos de sua infância, no subúrbio de Londres, seu difícil relacionamento com os pais, a descoberta da sexualidade… Elton John não poupa detalhes e também vai fundo em sua relação com o parceiro criativo, Bernie Taupin, bem como episódios que marcaram sua relação com nomes como John Lennon, Freddie Mercury, George Michael e a Princesa Diana – todos seus grandes amigos.

Pra finalizar, ele também fala sobre sua luta em prol dos diagnosticados com AIDS/HIV, além de sua fase mais recente, em que se dedica à família e prepara o encerramento grandioso de sua carreira em uma série de shows mundo afora. Temos aqui uma jornada bonita, poderosa e incrível – da forma que sempre enxergamos Elton.

“Frozen 2” se torna o filme de animação com a maior bilheteria de todos os tempos

De acordo com a Variety, “Frozen 2” se torna o filme de animação com maior bilheteria da história!

A sequência do filme de 2013 gerou US$ 1,325 bilhão nas bilheterias globais, ultrapassando “Frozen”, que abocanhou US$ 1,281 milhão e “Os Incríveis 2”, com US $ 1,243 milhão.

Se a Disney considerasse o novo “O Rei Leão” uma animação – tendo em vista que ele foi inteiramente digitalizado -, ele estaria acima de “Frozen 2” com US $ 1,65 bilhão. De qualquer forma, o estúdio do Mickey Mouse é responsável pelas três maiores animações de todos os tempos.

Só nos EUA, o filme de Elsa e Ana arrecadou US$ 449 milhões. O longa é dirigido por Jennifer Lee e Chris Buck e segue as irmãs fora de Arendelle tentando descobrir os segredos do passado. Kristen Bell, Indina Menzel, Jonathan Groff, Josh Gad, Sterling K. Brown e Evan Rachel Wood estão no elenco.

“Era Uma Vez em… Hollywood”, Ellen DeGeneres e mais: os grandes vencedores do Golden Globes 2020

A primeira grande premiação do calendário anual, o Golden Globes, rolou neste domingo (5) e o clima da noite foi dividido entre várias atmosferas: a primeira delas, logo de cara, foi relativa à tentativa de divertir o público com piadas prontas. Mas não foi só isso! Não faltaram também surpresas, algo que toda premiação deve ter, e momentos marcados pela seriedade, muito em virtude dos discursos, volta e meia políticos.

Era Uma Vez em… Hollywood”, de Quentin Tarantino, foi o filme mais premiado da noite ficando com três estatuetas, incluindo a de Melhor Filme de Comédia ou Musical. Logo atrás vieram “1917”, uma surpresinha agradável, “Coringa” e “Rocketman”, que voltaram pra casa com dois troféus cada um. Houve um grande esnobado? Sem dúvida “O Irlandês”, que apesar de ser favorito não levou nenhuma das 5 categorias às quais seu nome estava incluso.

Já quando o assunto foi séries, a disputa foi mais equilibrada. “Succession”, “Fleabag” e “Chernobyl” abocanharam dois prêmios cada uma.

Apesar de o comediante Ricky Gervais, host da noite, ter iniciado as atividades do evento com um discurso sarcástico, brincando inclusive com a escolha dos organizadores de servirem um jantar vegano, foram as falas em prol dos incêndios florestais na Austrália e do cuidado com o meio ambiente que mais chamaram a atenção de quem estava em casa. Uma das primeiras a se pronunciar sobre o fogo foi Jennifer Aniston, que concorria ao prêmio de Melhor atriz em série de Drama por “The Morning Show”.

Precisamos usar energia renovável e respeitar o planeta como um lugar único para que possamos ter um lugar único”.

Outros nomes como Laura Dern, que também saiu vitoriosa, e Ellen DeGeneres, grande homenageada da noite, também tocaram no assunto. Ellen, aliás, fez um discurso super divertido ao receber o Carol Burnett Award, oferecido pela Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood. A honraria, entregue pela primeira vez a uma artista, é uma forma de reconhecer suas contribuições e impacto na TV.

Após ter sido recebida de pé pela platéia, DeGeneres, que estava acompanhada da esposa, a atriz Portia de Rossi, relembrou os desafios de sua carreira de maneira bastante otimista, começando como atriz de sit-coms e depois, em um segundo momento, como apresentadora talk shows.

Tudo o que eu quero fazer é que as pessoas se sintam bem e sorriam, não tem coisa melhor do que saber que eu fiz pessoas ficarem bem como o meu programa. É importante que o público o veja e se inspire a fazer o mesmo em suas vidas. A fazer os outros rirem, a ser bom. Esse é o poder da televisão”.

Quem também recebeu homenagem nesta noite foi Tom Hanks, que voltou pra casa com o prêmio Cecil B. DeMille, uma espécie de distinção honorária dada anualmente a quem contribuiu de forma significativa ao longo da sua carreira no mundo do entretenimento.

Visivelmente emocionado, Hanks refletiu em seu discurso de aceitação sobre sua longa carreira, mas sem perder o bom humor: “Juro por Deus, a vocês de casa, não estou chorando. É um resfriado”. O ator também agradeceu à família, que tava ali pertinho acompanhando tudo, mas também citou vários colegas com quem disse ter aprendido um punhado de coisas.

Eu aprendi muito com pessoas com quem já trabalhei. Pessoas estas que só precisam de um nome para serem reconhecidas como Meryl, Denzel, Antonio, Meg, Julia… Fui aprimorando assistindo exemplos de alguns dos maiores atores que já subiram a este palco. São esses momentos como ator em que todos com quem já trabalhei me ajudaram a chegar a esse lugar que me fazem pensar que às vezes são três horas da manhã e às vezes são 11 da noite, mas você só precisa, de alguma maneira, juntar tudo e confiar no processo”.

Ainda sobre os discursos, o diretor de “Parasita”, o coreano Bong Joon-ho, fez bonito ao subir ao palco. Foi dele uma das falas mais fortes da noite. O longa, que narra a história de uma família obcecada por ascensão social, foi o vencedor da categoria Melhor Filme Estrangeiro.

 Assim que você romper a barreira da legenda, você será apresentado a muitos mais filmes incríveis

O discurso da Michelle Williams, vencedora de Melhor Atriz em Minissérie ou Filme para TV, emocionou o Golden Globes. A atriz, que está grávida, discursou a favor dos direitos das mulheres levantando sutilmente a questão do aborto. Ela ainda convocou as americanas a votar, sugerindo que as eleições são uma oportunidade de colocar em prática o respeito aos seus próprios interesses.

Mulheres, votem nos seus próprios interesses. É o que os homens fazem há anos

Por parte do público não faltaram críticas quanto à ausência de indicados negros, mulheres e LGBTQ+ (Billy Porter, a gente queria você!!!). Em meio aos comentários que pipocaram nas redes sociais, uma vitória importante para os fãs de “Coringa”: foi com o longa que uma mulher, a islandesa Hildur Guðnadóttirm, venceu pela primeira vez o Golden Globe de Melhor Trilha Sonora. Um trabalho impecável, vale dizer!

Quem também fez bonito foi a dupla Elton John e Bernie Taupin, que em 52 anos de parceria ganhou nesta noite seu PRIMEIRO prêmio juntos. Com “Rocketman” eles venceram a categoria Melhor Canção Original Para Filme com “I’m Gonna Love Me Again”.


O ano tá só começando, mas se liga na lista completa de vencedores desta edição:

Cinema

Melhor Filme de Drama: “1917”
Melhor Ator em Filme de Drama: Joaquin Phoenix, por “Coringa”
Melhor Atriz em Filme de Drama: Renée Zellweger, por “Judy: Muito Além do Arco-Íris”
Melhor Filme de Comédia ou Musical: “Era uma Vez em… Hollywood”
Melhor Ator em Filme de Comédia ou Musical: Taron Egerton, por “Rocketman”
Melhor Atriz em Filme de Comédia ou Musical: Awkwafina, por “The Farewell”
Melhor Ator Coadjuvante em Filme: Brad Pitt, por “Era uma Vez em… Hollywood”
Melhor Atriz Coadjuvante em Filme: Laura Dern, por “História de Um Casamento”
Melhor Diretor: Sam Mendes, por “1917”
Melhor Roteiro: Quentin Tarantino, por “Era uma Vez em… Hollywood”
Melhor Filme de Animação: “Link Perdido”
Melhor Trilha Sonora: “Coringa”
Melhor música original: I’m Gonna Love Me Again, Elton John
Melhor Filme Estrangeiro: “Parasita”


Televisão

Melhor Série de Drama: “Succession”
Melhor Minissérie ou Filme para a TV: “Chernobyl”
Melhor Série de Comédia ou Musical: “Fleabag”
Melhor Ator em Série de Comédia ou Musical: Ramy Youssef, por “Ramy”
Melhor Atriz em Série de Comédia ou Musical: Phoebe Waller-Bridge, por “Fleabag”
Melhor Minissérie ou Telefilme: “Chernobyl”
Melhor Ator em Minissérie ou Telefilme: Russell Crowe, por “The Loudest Voice”
Melhor Atriz em Minissérie ou Telefilme: Michelle Williams, por “Fosse/Verdon”
Melhor Atriz em Série de Drama para a TV: Olivia Colman, por “The Crown”
Melhor Ator em Série de Drama para a TV: Brian Cox, por “Succession”
Melhor Ator Coadjuvante em TV: Stellan Skarsgård, por “Chernobyl”
Melhor Atriz Coadjuvante em TV: Patricia Arquette, por “The Act”

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Mariah Carey se torna a 1ª artista a liderar a Billboard Hot 100 em quatro décadas distintas

Mariah Carey se tornou a primeira artista a ocupar o #1 da Billboard Hot 100 em quatro décadas seguidas. Isso porque, nesta segunda-feira (30), “All I Want For Christmas Is You” completou sua terceira semana no topo da parada, indicando que a faixa vai abrir 2020 na liderança.

Vale lembrar que a primeira música da artista que conquistou essa almejada posição foi “Vision of Love”, cujo lançamento aconteceu em 1990. Somente naquela década Mariah liderou o ranking 14 vezes.


Até então, em quase meio século de história da Hot 100, grandes ícones da música só tinham ficado o topo (no máximo) em três décadas diferentes. Entre eles estão Michael Jackson, Elton John, Madonna, Christina Aguilera e Britney Spears.

sábado, 28 de dezembro de 2019

Crítica | The Witcher – 1ª Temporada

As primeiras notícias sobre a adaptação de The Witcher  da obra do escritor polonês Andrzej Sapkowski — para a Netflix surgiram em 2017, sendo confirmadas pela empresa em maio daquele ano e com a contratação de Lauren Schmidt como showrunner da série. A escolha não foi à toa. Schmidt já havia assinado a co-produção executiva de séries como Demolidor, Os Defensores e The Umbrella Academy então não era alguém nova em produções de peso e caráter heróico/sobrenatural. A diferença aqui é que a profissional assume a cadeira principal de produtora executiva da Saga de Geralt de Rívia, e talvez o seu principal desafio nesta temporada inicial foi tentar impedir um tsunami de informações ao longo de oito episódios, mesmo que cada um deles tenha em média uma hora de duração.

Sim, vamos começar falando de ritmo e isso é quase um golpe do destino. Voltando para 2017, antes do anúncio da série, a Netflix já cogitava a adaptação da saga em um longa-metragem, e foi a vice-presidente de produções internacionais da casa, Kelly Luegenbiehl, quem convenceu os chefões a não condensarem tantos livros em um único filme, pois havia material demais para ser trabalhado. Uma série era o mais indicado. Ora, não é preciso ser nenhum gênio para entender que esse dilema inicial seguido da aceitação de produção do show veio com alguma condição, e como espectadores sentimos isso no tempo, na quantidade de informações (ou o tipo delas, mas falaremos sobre isso adiante) e a maneira como se encadeiam no final da série. Como se a obrigação fosse a de trazer diversas informações ao longo de arcos distintos para dar um caráter épico já na 1ª Temporada e, dependendo do andar da carruagem, um recorte mais escrupuloso seria feito numa possível renovação. Bem, ao menos a parte de planejamento de produção e marketing deu certo. Cerca de um mês antes de estrear, a série já tinha garantido a sua 2ª Temporada. Mas não sem um bom preço.


Quando o primeiro episódio começou, a minha primeira reação foi um estreitar de olhos e inclinação da cabeça em um grau que indica “sei não, hein…“. Após terminar o oitavo capítulo, voltei para rever essas primeiras cenas e ainda as acho um mau começo, agradecendo a Merlin que o mesmo padrão não tenha sido a tônica do show, que sim, é muito bom. O roteiro segue as pegadas de Geralt (Henry Cavill), um bruxo caçador de monstros que procura ganhar dinheiro e, na medida do possível, viver em paz ou ter apenas os seus tormentos pessoais para se preocupar, algo que ele jamais consegue, obviamente. No decorrer dos episódios, um arco envolvendo o seu destino, o destino de uma poderosa feiticeira chamada Yennefer (Anya Chalotra) e o da princesa Cirilla (Freya Allan) — que também tem uma boa dose de mistérios e segredos ainda por descobrir — é erguido. Como é de praxe em boas fantasias literárias e suas respectivas adaptações, o cerne da questão envolve o amplo deslocamento dos personagens, um amplo leque de criaturas e inimigos de ocasião e um contexto de Universo que apesar das particularidades entre as cidades e reinos, possui uma tônica geral para o recorte do momento. E como era de se esperar, a tônica aqui é a guerra.

Henry Cavill está incrível no papel do protagonista. Eu não tive nenhum contato com o original, então não sei se essa construção do personagem vem de lá ou é uma leitura do ator, mas tudo o que ele faz com o personagem aqui funciona: a imposição de autoridade numa postura pacífica, majoritariamente silenciosa e de voz sempre em tom médio para baixo, o que exige relaxamento do ator para que uma colocação mais gutural da voz seja feita; a exibição de um temperamento que transita entre alguns alinhamentos mas que tem os pés na visão pragmática ou de exercício da justiça dependendo da situação; e por fim, a excelente base de coreografia de lutas com espada que o ator nos traz, tornando o drama mais interessante de se assistir, pois a magia, ainda que existindo em muitos níveis aqui, não está colocada como a única saída ou facilitador de situações (bom… há um pouco disso na batalha final, mas convenhamos, é emocionante demais), afinal estamos em um Universo de reinos, logo, a espada e outras armas ou modos de luta para além da magia são necessárias pela simples contextualização da obra.


Os diretores souberam aproveitar muito bem as paisagens na Hungria, Polônia e Ilhas Canárias onde a temporada foi filmada. Existem inúmeras mudanças de cenários (assim como de figurino e maquiagem, que são excelentes), todas muito bem concebidas e tratadas com bons efeitos, assim como a execução de magia ao longo da série inteira. Vertentes diferentes são apresentadas e, ao passo que cada arco se desenvolve, o espectador tem a oportunidade de ver como os personagens crescem e adicionam ainda mais truques à sua lista. O grande problema disso é que no arco da Princesa Cirilla e, em parte, na própria evolução de Geralt, esse aspecto de desenvolvimento se perde porque temos uma linha temporal dividida entre passado e presente. Se este é um andamento vindo da literatura, certamente não coube bem na adaptação. Para piorar, as mudanças na fotografia e figurinos são mínimas e o andamento do plot em dois tempos não é esclarecido desde o começo, o que confunde desnecessariamente o público ou complica algo que poderia ser imensamente mais simples. É por conta dessa divisão que muitos episódios funcionam mais como “monstro da vez” do que como desenvolvimento de algo maior.

Particularmente achei todo o arco de Ciri entre fraco e ruim, em temos de construção, salvando-se aí os aspectos técnicos e a atuação de Freya Allan. O arco do bardo me chateou mais do que agradou, talvez porque o roteiro insistiu demais no tema das gracinhas fora de hora (isso só funciona bem, a longo prazo e com essa abordagem, na literatura) e fez com que terminasse abruptamente, com um discurso meio fora de tom de Geralt para o músico, infelizmente vindo depois da melhor jornada isolada da temporada, que foi a caça ao dragão. Na outra ponta da régua temos uma boa apresentação e desenvolvimento (mesmo escorregando no miolo) da Irmandade dos Magos, trazendo questões de política e brigas internas que os tornam mais interessantes — quando vistos em confronto com iguais — e a Irmandade em si ainda mais real, complexa e com mais intrigas para serem trabalhadas. Do início ao fim o tema da magia e das lutas cruas e violentas se mantém em alta e condizente com o projeto (minhas favoritas são a luta de Geralt no mercado da primeira cidade — uma das sequências de luta mais bem dirigidas da temporada — e a luta contra a Striga; além, é claro da luta final entre os dois exércitos e os dois times de magos) .

Embora Geralt tenha seu desenvolvimento atrapalhado pela escolha de linha temporal dupla (tomara que isso não volte na 2ª Temporada), a caminhada do personagem é no geral bem arquitetada, sem contar que Cavill está (é) maravilhoso no papel. Yennefer tem o segundo melhor arco deste ano, um dos mais bem explorados no campo pessoal, sentimental, mágico e de crescimento da personagem como um todo, mais até que o do próprio protagonista, além de ter a fascinante Anya Chalotra no papel, cuja beleza é ainda mais chamativa com a maquiagem pesada, as lentes e o figurino escuro.


Meus votos é que na próxima temporada, sem a necessidade de mostrar que tem um Universo rico e cheio de possibilidades (ou seja, eliminando sequências que não servem para nada, como aquela de Ciri na floresta protegida pelas mulheres) e muitos casos isolados de “Geralt persegue e mata o monstro“, o roteiro consiga fortalecer a linha central do programa e também o nosso foco naquilo que realmente importa. Depois de uma boa introdução como a desta temporada, creio que será possível sim. Assunto é o que não falta. Que o Caos permita, pois.

The Witcher – 1ª Temporada (Polônia, EUA, 20 de dezembro de 2019)

Criadora: Lauren Schmidt
Direção: Alik Sakharov, Alex Garcia Lopez, Charlotte Brändström, Marc Jobst
Roteiro: Lauren Schmidt, Jenny Klein, Beau DeMayo, Declan de Barra, Sneha Koorse, Haily Hall, Mike Ostrowski (baseado na obra de Andrzej Sapkowski)
Elenco: Henry Cavill, Freya Allan, Joey Batey, MyAnna Buring, Tom Canton, Anya Chalotra, Eamon Farren, Björn Hlynur Haraldsson, Adam Levy, Jodhi May, Lars Mikkelsen, Maciej Musial, Mimi Ndiweni, Royce Pierreson, Wilson Radjou-Pujalte, Anna Shaffer, Amit Shah, Therica Wilson-Read, Judit Fekete
Duração: 8 episódios, com cerca de 60 min.