Por Critilo Ferineu, curto, ácido e contundente
Pensamento raso, desentendimento, ler sem compreender, criticar sem saber, falar sem ter o que dizer é a tônica da participação da massa ignota burra e inculta na internet. Onde quer que haja espaço para manifestação do nada, a figura do idiota, se deixa aparecer e quer se fazer notar. Sobre tudo o idiota comenta, principalmente sobre o que não sabe, não entende, e não vai entender nunca, afinal é um idiota, figura muito pior que a figura do burro, porque é assim de nascença, enquanto o idiota é uma mistura de ignorância disfarçada com pretensão e soberba. O idiota além de burro é ainda mais um perfeito de um idiota.
O idiota é o rei do achismo, pai da opinião via comentário. Precisa dizer alguma coisa, desde que seja uma besteira que acredite ser verdade, porque no reino do “eu acho” tudo se torna verdade patente. A internet, sobretudo as redes sociais, produzem lixo de comunicação que a cada dia se amontoa em pilhas de lugares-comuns, repetição de idéias falsas, chafurdo da vida alheia e própria, autopromoção e, mais ainda, inutilidade. O vídeo mais idiota e mais escrachado ele posta, comenta e repassa, a foto mais bizarra, medonha, e impublicável, ele publica, e quando não publica, comenta lá a de quem publicou. Sua linguagem é a dos kkkkkk e kikikiki, única forma de comunicação permissível a quem não dispõe de vocabulário para além destes grunhidos do riso na descrição do internetês.
O idiota está por toda parte, aliás, por todas as redes, não cansado de abarrotar o Orkut de leseira, de expor a sua ridicularidade e ignorância que os outros vêem mas ele desconhece, consegue transformar 140 caracteres em frases impronunciáveis, em português mal dito, em assunto descabido, ou conversa de comadre. Sua predileção é a frase feita de quem ele nunca leu um livro, ou nem sabe quem é, “a vida é um sonho”, Gandhi, uma frase que Gandhi nunca disse, mas se o idiota econtra por aí dando sopa, twitta, copia e cola, e assim arrota a inteligência burra que lhe assiste. Pois se há uma originalidade no idiota, esta é ela, ele nunca é original, ele nunca tem noção de quanto é idiota, mas exerce como ninguém a arte de ser, de fazer, e de mostrar-se idiota a qualquer custo. A internet, portanto, é seu paraíso porque só assim ele não guarda a sua idiotice para si, tem a coragem e a oportunidade de dizer para todo mundo ouvir o quão e o tanto é um idiota por natureza, massa ignota, burra e inculta.